A moça vem. Andando distraída e perdida naquela manhã nublada de terça-feira. Perdida, mas lúcida. Anda preocupada com o tempo perigoso. Lembra-se de dar um telefonema. O amigo precisava falha-lhe sobre emprego. Cria coragem e resolve mudar seu destino.
"Alô, é Timonthy?"
"Sim, ele responde. Você se lembra da Ninfa? A namorada do Teodoro."
"Ela, num acesso de raiva (interno): sim, claro..."
"Pois é...ela está oferecendo um emprego de secretária, sua especialidade. Como eu sabia que você está precisando de emprego...eu lhe disse que te passaria o telefone dela. Ela está esperando sua ligação o quanto antes."
A moça sabia muito bem de quem se tratava. Aliás, só ela sabia. A garota em questão podia se confundir com o mármore, esmeralda e os príncipes da Inglaterra, nus e crus à sua frente. Intocável era ela.
Inicia-se então um furacão interno na moça. Entre raiva, ódio e esperança. Como poderia experienciar tal fato? Porque se machucar mais?
Teodoro era sua paixão. Platônica, pois Teodoro não a queria. Este estava muito ocupado com sua própria vida e seus amores; sua indecisão. Mas parecia que agora não mais. Estava namorando, poxa. A moça tinha sido trocada. Semanas antes ele dizia à moça que tinha se apaixonado por ela, porém não estava pronto para namorar. Na verdade ele já amava Ninfa.
A moça decide ligar para Ninfa. Com todo ódio de estar falando com sua rival. Ela tinha construído uma rival dentro de si, talvez por isso mesmo ligasse. Ninguém sabia disso, ninguém. Quem se sentia trocada era a moça, mais ninguém. Ela havia criado todos os sentimentos por Ninfa e Teodoro.
Conseguiu o emprego.
...
Sabe, muitas vezes deixamos de enxergar as oportunidades em nossas vidas. Tudo depende da nossa percepção das coisas que se nos aproximam. Depende de como vemos e o que sentimos disso. Muitas vezes é melhor olhar pra dentro de si e se perguntar: “Quem construiu isso dentro de mim” e a resposta sempre será: “Eu”. E você mesmo irá retirar o que quer e o que não quer.
Aline B. P.